Extensão falsa do Chrome trava navegador e infecta mais de 5 mil usuários com vírus

 

Sim. Pesquisadores de segurança identificaram uma campanha maliciosa chamada CrashFix, que utilizava uma extensão falsa do Google Chrome para travar propositalmente o navegador e enganar usuários na instalação de um vírus. A extensão teria ultrapassado 5 mil downloads antes de ser removida da Chrome Web Store.

Como o golpe funcionava

A extensão maliciosa se chamava:

  • “NexShield – Advanced Web Guardian”

Ela se apresentava como um bloqueador de anúncios legítimo, muito parecido visualmente com o famoso uBlock Origin Lite. Segundo os pesquisadores da Huntress, o código era praticamente um clone da extensão original, mas com funções ocultas maliciosas.

Depois da instalação, o malware:

  1. Ficava “adormecido” por cerca de 60 minutos;
  2. Começava a consumir memória do computador;
  3. Criava loops infinitos e conexões falsas;
  4. Fazia o Chrome travar completamente.

O objetivo era fazer o usuário acreditar que havia um problema sério no navegador.


O truque mais perigoso

Após o travamento, quando o navegador era aberto novamente, aparecia um alerta falso simulando uma mensagem de segurança do Microsoft Edge ou do Windows.

Esse aviso dizia que o navegador havia sido encerrado de forma anormal e sugeria uma “correção”. Então pedia para o usuário:

  • apertar Win + R;
  • abrir o “Executar” do Windows;
  • colar um comando copiado automaticamente pela própria extensão.

Ao executar esse comando, o computador baixava o malware chamado ModeloRAT.


O que é o ModeloRAT

O ModeloRAT é um trojan de acesso remoto (RAT). Isso significa que criminosos podem controlar partes do computador infectado à distância.

Segundo os relatórios, ele conseguia:

  • executar comandos remotamente;
  • baixar outros vírus;
  • rodar scripts PowerShell;
  • acessar arquivos;
  • manter persistência no Windows;
  • identificar antivírus instalados;
  • detectar máquinas corporativas.

Os pesquisadores afirmam que computadores corporativos eram os principais alvos, porque o acesso podia depois ser vendido para grupos de ransomware.


Como ele escapava da detecção

O malware utilizava ferramentas legítimas do próprio Windows, incluindo:

  • finger.exe
  • PowerShell codificado em Base64
  • técnicas de ofuscação XOR

Isso dificultava a detecção por antivírus tradicionais.

Além disso, o código verificava:

  • se estava rodando em máquina virtual;
  • se havia softwares de análise;
  • se o PC fazia parte de uma rede empresarial.

Por que isso preocupa tanto

O caso chamou atenção porque:

  • a extensão estava na loja oficial do Chrome;
  • imitava uma ferramenta popular;
  • usava engenharia social avançada;
  • não infectava imediatamente;
  • explorava a frustração do usuário após travamentos.

Pesquisas recentes mostram que extensões maliciosas continuam conseguindo burlar os sistemas automáticos de verificação das lojas de navegadores.


Como saber se você pode ter sido afetado

Sinais suspeitos:

  • Chrome travando sem motivo;
  • uso excessivo de memória;
  • pop-ups pedindo para executar comandos;
  • mensagens estranhas após reiniciar o navegador;
  • extensão “NexShield” instalada.

Para verificar:

  1. Abra:
    chrome://extensions
  2. Procure extensões desconhecidas;
  3. Remova imediatamente qualquer item suspeito;
  4. Faça uma varredura completa com antivírus atualizado.

Como se proteger

Especialistas recomendam:

  • evitar instalar extensões pouco conhecidas;
  • conferir avaliações e histórico do desenvolvedor;
  • desconfiar até da Chrome Web Store;
  • nunca executar comandos sugeridos por pop-ups;
  • usar bloqueadores famosos e oficiais;
  • manter navegador e antivírus atualizados.

Um detalhe importante: empresas legítimas praticamente nunca pedem para usuários colarem comandos manualmente no “Executar” do Windows para resolver problemas do navegador.


O problema das extensões maliciosas está crescendo

Pesquisas acadêmicas recentes mostram aumento no uso de extensões falsas para:

  • roubo de dados;
  • espionagem;
  • redirecionamento de tráfego;
  • mineração;
  • ataques corporativos.

Com o crescimento de ferramentas de IA e extensões “milagrosas”, criminosos estão aproveitando a confiança dos usuários em complementos aparentemente úteis.

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